2026: O ano da virada para M&A?

Autor: Alon Sochaczewski
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Depois de anos desafiadores, sinais concretos apontam para 2026 como um ano de retomada. E não apenas da economia, mas de movimentos estratégicos de M&A (fusões e aquisições) no Brasil.

A pergunta que muitos líderes fazem neste momento é: por que 2026 pode ser o ponto de inflexão para fusões e aquisições?

Aqui vão algumas respostas e oportunidades escondidas.

1. Ambiente macro mais favorável

A ata recente do Copom reforçou a expectativa de queda continuada dos juros, com o corte de 0,5 p.p. previsto já para março. Menores taxas de juros aliviam o custo de capital e tornam operações de M&A mais viáveis, especialmente para empresas intensivas em capital ou em processo de desalavancagem.

Com juros reais mais baixos, o capital volta a circular com mais fluidez, o que reduz o risco e aumenta a confiança para decisões estratégicas de longo prazo.

2. A volta dos estrangeiros

Só em janeiro de 2026, o fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira ultrapassou R$ 26 bilhões, superando o volume de todo o ano de 2025. E mais: investidores globais estão reabrindo as janelas para emergentes, e o Brasil volta ao radar como destino estratégico, com valuations atrativos, liquidez e um pipeline de oportunidades mais maduro.

Com isso, o apetite por ativos locais aumenta. E M&A volta a ser uma alavanca para entrada, consolidação e crescimento.

3. Pipeline de empresas pronto para se mover

Segundo os maiores bancos de investimento do país, há uma demanda reprimida de empresas que adiaram suas movimentações nos últimos dois anos. Agora, com a melhora do ambiente e liquidez voltando ao jogo, muitas estão prontas para retomar planos de captação, consolidação ou saída via venda estratégica.

“Temos falado muito mais em precificação nos últimos meses”, disse a CEO da AGe, Ana Paula Tozzi, em reportagem recente. Isso mostra que o M&A voltou para a mesa de negociação.

4. Contexto político mais previsível

Após um ciclo eleitoral turbulento, 2026 se projeta como um ano de maior previsibilidade institucional. Sem grandes choques no radar, os movimentos estratégicos ganham espaço para acontecer. Estabilidade reduz o risco, e risco reduzido acelera decisões.

5. Oportunidades setoriais latentes

Setores como infraestrutura, tecnologia, energia e saúde estão em plena transformação. E precisam de capital, escala e eficiência para competir. Para muitos, o caminho mais rápido será via fusão, aquisição ou parcerias estratégicas.

Além disso, 2026 traz alívios tributários e sociais que injetarão R$ 80 bilhões extras na economia, ampliando consumo e impulsionando setores de base. Mais consumo, mais competição. Mais competição, mais M&A.

Em resumo:

2026 reúne juros em queda, capital estrangeiro voltando, demanda reprimida, previsibilidade e setores aquecidos.

E mais: os multiplicadores que norteiam as avaliações das companhias estão mais racionais e alinhados ao valor real dos negócios. Sem os prêmios inflacionados de 2021 ou de outras euforias históricas. Isso significa um mercado mais maduro, onde vendedores têm expectativas mais realistas e compradores conseguem enxergar valor com segurança.

É um terreno fértil para empresas que pensam grande e querem crescer com estratégia.

A pergunta não é mais “será que vai ter M&A?”, e sim:

“Estamos preparados para liderar ou ser liderados nessa nova onda?”

Agora é a hora de revisar sua estratégia, olhar para dentro, escanear o mercado e definir como sua empresa vai jogar.

Porque o jogo está voltando. E está acelerando.

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Alon Sochaczewski

Alon Sochaczewski é um especialista com mais de 20 anos de experiência nas áreas de Marketing, Publicidade, E-commerce e Tecnologia. Sua trajetória começou como operador na Bolsa de Valores de São Paulo e em bancos de investimento. Em 1996, fundou sua primeira empresa digital, adquirida em 1999 pelo grupo francês Havas, onde liderou a Euro RSCG 4D no Brasil e na América Latina por 8 anos. Em 2013, fundou a Pipeline Capital, uma firma de M&A focada em Comunicação Digital e Tecnologia.

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