Mercado de investimentos: caindo para cima

Autor: Allan Fonseca
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Texto de Pyr Marcondes, Senior Partner da Pipeline Capital Tech.

 

Quando a pandemia começou e desencadeou as paralisações econômicas e empresariais que todos conhecemos e vivemos a partir de março de 2020, analistas e investidores de risco imaginaram que haveria um downturn dos aportes no mercado de early stage e scale ups companies. Pois aconteceu exatamente o contrário e a pandemia empurrou o mercado para um dos períodos de alta mais fortes já registrados. Notadamente no âmbito das tech driven companies.

 

Agora, à medida que uma crise geopolítica se desenrola e o mercado de ações tende, naturalmente, a ficar mais sensível e instável, apontando para uma queda, projeta-se exatamente o mesmo temor que floresceu em 2020. E as ações de algumas das big techs começaram a registar quedas importantes.

 

Idem no mercado de startups. Segundo dados do Crunchbase, elas levantaram US$ 10 bilhões a menos em fevereiro em comparação com janeiro deste ano – a primeira queda mensal desse tipo em anos. O financiamento das late stages caiu 19%, de US$ 41 bilhões para US$ 33,2 bilhões, no mesmo período. E o das early stage caiu 17%, de US$ 18,4 bilhões para US$ 15,3 bilhões.

 

Mas prestemos atenção. Mesmo com uma queda de US$ 10 bilhões, fevereiro de 2022 ainda superou fevereiro de 2021 em 24%.

 

Quase 200 empresas abriram capital via SPAC no ano passado, e um recorde de 296 empresas apoiadas por capital de risco foram listadas publicamente, de acordo com o PitchBook. Mas o desempenho não tem sido bom desde então.

 

Analistas de mercado estão cruzando dados e conjecturas sobre o que, no detalhe, está de fato acontecendo com os investimentos no mercado financeiro de ações. E uma das conclusões é que os ativos maduros ou as empresas já estabelecidas talvez estejam caras demais no momento. E com uma retrospectiva de performance não muito entusiasmante.

 

Segundo a Forbes, muitas listagens públicas altamente antecipadas destruíram seu valor de mercado este ano. A plataforma de negociação de criptomoedas Coinbase, que se tornou pública por meio de uma listagem direta, começou a ser negociada a US$ 390 por ação; a empresa estava sendo negociada a US$ 190 por ação no fechamento do mercado na quinta-feira. A Clover Health abriu seu capital por meio de um SPAC em janeiro e começou a ser negociada a US$ 15,30 por ação; fechou quinta-feira em $ 3,61.

 

Mark Goldberg, sócio da Index Ventures, disse à Forbes que esse baixo desempenho – e a redução resultante nas avaliações das empresas – torna o mercado de late stage menos atraente.

 

E daí? Daí que os investimentos estão migrando para ativos mais jovens. A Tiger Global, por exemplo, fez metade das implantações de seu mais recente fundo de US$ 12,7 bilhões para empresas da Série A e Série B, de acordo com uma carta de investidor tornada pública semana passada.

 

Quanto a guerra vai ainda afetar esses movimentos é difícil dizer. Mas arrisco aqui projetar que estamos vivendo uma (mais uma) acomodação dos mercados de capitais e de investimentos que vivemos há décadas e décadas. Que as bolhas agora, depois das que já vivemos, deixam todos alertas. Que esse movimento talvez fosse necessário, anyway. E que é possível que 2020 se repita. Aguardemos.

 

 

 

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Allan Fonseca

Allan Fonseca é um experiente executivo C-level com 23 anos de trajetória em Marketing Digital, Experiência do Cliente, Vendas, Crescimento, Performance, Branding e CRM. Ele liderou negócios em mercados altamente competitivos no Brasil e na Europa, abrangendo setores como Real Estate, Bancos, Fintechs, Seguros e Startups. Atualmente, na Pipeline Capital, atua como CMO e Head of Growth Advisors, acelerando o crescimento de mais de 15 empresas através de consultorias direcionadas aos seus CEOs. Allan também é Board Advisor nas empresas Jardins & Co. e Complementar Arquitetura, além de professor convidado na FGV desde 2019. Com uma sólida experiência internacional, incluindo uma temporada no Orange Group na Espanha, é reconhecido como um dos principais influenciadores no LinkedIn no setor de Real Estate. Ele é membro ativo da IAB Brasil e, no passado, foi VP de Inovação da ABA (2012-2015) e integrou o Comitê de Marketing Digital e Mídia (2007-2015).

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