A nova realidade das big techs: crise ou ajuste de mercado?

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Gigantes da tecnologia têm resultados menores em 2022 e recorrem a demissões para  encarar um cenário desafiador de recessão global, fim da pandemia e guerra

Elas já foram o sonho de consumo de qualquer recém-formado e aposta de muitos investidores pelo mundo. A realidade, porém, chega para todos. Após mais uma onda de crescimento com a pandemia de Covid-19, 2022 foi o ano em que as gigantes da tecnologia como Google, Amazon, Apple, Meta/Facebook sofreram um choque de realidade. 

Não há motivo para pânico, no entanto. As empresas de tecnologia não estão em crise, e, sim, ajustando-se à realidade. Quando a pandemia de Covid-19 chegou há cerca de três anos, as big techs estavam preparadas para oferecer, diante do confinamento, o que a humanidade precisava, aulas, reuniões, compras, comida, entretenimento, tudo ao alcance de uma tela. 

Não é uma coincidência que nesse período várias delas alcançaram um valor de mercado acima de US$ 1 trilhão: Apple, Tesla, Alphabet, Amazon. A evolução dos negócios digitais foi enorme. 

Esse momento, porém, passou. Ele foi substituído por uma crise econômica global com inflação, recessão, juros altos e, como cereja do bolo, uma guerra entre Rússia e Ucrânia, no coração da Europa. 

A retração nos valores de mercado e a onda de demissões são indicadores desse cenário. A Amazon, neste mês, chegou a perder US$ 1 trilhão em valor de mercado, após divulgar queda de 9% no lucro do terceiro trimestre deste ano e anunciou uma política de demissões, que pode chegar a 10 mil postos de trabalho até 2023.

Após 18 anos, o Facebook/Meta fez um processo de demissão em massa pela primeira vez. Foram 11 mil funcionários em todo mundo e o congelamento de contratações até o primeiro trimestre de 2023. Não é para menos, a empresa perdeu 70% do valor de suas ações em 2022 e mais de US$ 3 trilhões em valor de mercado, no acumulado do ano.

Nem mesmo o Google e a Apple estão fora desse cenário de encolhimento. Com uma desvalorização de 15% das ações no acumulado do ano, a Apple anunciou uma desaceleração nas contratações e promoveu uma centena de demissões na área de recrutamento. A Alphabet, controladora do Google, que sentiu menos os efeitos da crise econômica global, também preferiu se resguardar e anunciar uma retração nas contratações em 2022.

Mesmo assim, Facebook, Instagram, WhatsApp, alguns dos principais negócios da Meta, estão longe de desaparecer. A Amazon segue como o principal hub de comércio eletrônico de produtos físicos e digitais do mundo, a Apple TV continua se destacando no streaming e o Google permanece sendo o ‘oráculo’ do século XXI.

O que estamos vendo são os sinais de que as empresas de tecnologia, que nasceram de ideias disruptivas, gestão agressiva e voracidade nas aquisições, estão perdendo a agilidade de ‘startup’ e sentindo o ‘peso’ de se tornarem gigantes. Não poderia ser diferente. Crescer é uma necessidade das organizações que altera a relação com os  riscos. 

Esse fato não altera o futuro promissor para as empresas de tecnologia. O interesse dos investidores é crescente em soluções para os desafios impostos por panoramas cada dia mais complexos. A transformação digital é uma realidade e segue ampliando oportunidades.   

Se existe uma lição a tirar é que as fases das organizações vão se seguir e são necessárias. A realidade bateu à porta das big techs, de seus funcionários e usuários. É hora de aceitar os remédios amargos e renovar os projetos. 

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