Perspectivas para o mercado de M&A em 2022

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O ano de 2021 foi histórico para as fusões e as aquisições (M&A), que foram favorecidas pela grande disponibilidade de financiamento barato e mercados de ações em expansão. Segundo a Reuters, o volume de operações em 2021 foi de US$ 5,8 trilhões, o que representa um novo recorde mundial, sendo 64% maior que 2020 e mais de US$ 1 trilhão acima do recorde anterior (US$ 4,55 trilhões estabelecido em 2007).

No Brasil, o mercado de M&A também está bastante aquecido, com especial destaque para o mercado de capitais e para investimentos em startups. As empresas captaram R$ 596 bilhões no mercado de capitais do Brasil em 2021, recorde histórico da série monitorada pela Anbima. O volume representa um crescimento de 60% se comparado aos níveis de 2020. Das captações de 2021, R$ 128,1 bilhões foram com ações, incluindo aberturas de capital (IPO), nível também recorde. Os IPOs renderam R$ 63,6 bilhões. Outros R$468 bilhões foram por intermédio de renda fixa e outros instrumentos, como fundos de investimento e certificados de recebíveis.

Os fundos de venture capital, que aplicam recursos em startups, também bateram recorde de investimento em 2021. O valor aportado no mercado brasileiro foi mais de 200% superior a 2020, com mais de US$ 9 bilhões (quase R$ 50 bilhões) ante US$ 3 bilhões (R$ 17 bilhões) de 2020.

Inequivocamente, 2022 será um ano bastante desafiador. Além do avanço da ômicron e das eleições de outubro, as estimativas econômicas indicam um ano de juros altos e crescimento bastante baixo. Há também o constante receio com as altas taxas de inflação. De todo modo, apesar de todas essas variáveis, as projeções para o mercado de M&A em 2022 são bastante positivas.

A nível global, apenas em 2021, os fundos de investimento privados e as empresas com propósitos específicos para M&A acumularam US$ 2,4 trilhões, que devem ser aplicados em aquisições neste ano. Há vários setores em processo de consolidação, e outros que buscam a diversificação das atividades. Associada a isso, a pandemia do Covid-19 escancarou a necessidade de modernização e digitalização das empresas, catalisando esse inevitável processo. Assim, podem-se destacar os setores de tecnologia, energia, saúde, educação e logística. Em mercados dinâmicos e competitivos, o M&A, mais do que uma opção, pode se mostrar como uma efetiva necessidade. Nesse contexto, é importante que as empresas estejam atentas e preparadas para oportunidades envolvendo M&A.

O processo de M&A pode ser dividido em três etapas principais:

  • planejamento, execução e integração, sendo que cada uma delas possui suas próprias peculiaridades, possibilidades e riscos correlatos.

Por isso, faz-se essencial o acompanhamento próximo pelos executivos, assim como a contratação de profissionais especializados e experientes para assessorar na operação.

A identificação e abordagem dos investidores com mais apetite, a correta precificação dos ativos, equilíbrio entre divulgação de informações essenciais e proteção de segredos comerciais, mapeamento e alocação de riscos, divergências de interesse e imprevistos são os principais desafios da transação.

Com efeito, a adequada elaboração, discussão e negociação dos contratos e documentos relacionados são determinantes para conferir transparência e previsibilidade para a operação, bem como para resguardar os interesses dos envolvidos. Após a assinatura dos documentos e aprovação dos órgão reguladores (por exemplo, Cade), quando for o caso, a integração eficiente das atividades mostra-se especialmente sensível e decisiva para que sejam alcançadas as expectativas do negócio, inclusive captura das sinergias identificadas. Por Mário Tavernard Martins De Carvalho | Sócio Do Escritório Tavernard Advogados, Mestre Em Direito Empresarial Pela UFMG, leia mais em Fusões&Aquisições.

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