América Latina se tornou região mais quente do mundo para startups. Quem está por trás dos investimentos?

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Levantamento mostra que região foi a que mais acelerou crescimento em volume de capital de risco. Foram US$ 19,5 bilhões em 2021, triplo do visto em 2020

 

A América Latina teve um ano extraordinário em termos de atrair investidores para as suas startups. A região foi a que mais acelerou seu crescimento em volume de capital de risco, mostra um levantamento da empresa de dados Crunchbase.

US$ 19,5 bilhões foram investidos em negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos da região em 2021. Foi o triplo do valor visto no ano anterior.

Mas quem está por trás de tanto capital? O Crunchbase montou uma lista com os investidores de capital de risco mais ativos na América Latina, nas frentes de venture capital e de private equity.

Confira:

Estágio inicial (early stage)

O investimento anjo e semente trouxe cerca de US$ 900 milhões para as startups em estágio inicial, enquanto as rodadas série A e B trouxeram cerca de US$ 5,5 bilhões. O Brasil foi o país mais atrativo da região, seguido por México, Colômbia, Chile e Argentina.

O Crunchbase afirma que tanto volume de capital se deve tanto a um maior número de rodadas quanto ao aumento no valor investido por rodada. Algumas rodadas notáveis foram as feitas nas startups Daki, Ebanx, Merama e Mercado Bitcoin.

Do lado dos investidores, gestoras regionais (como Bossa Nova Investimentos, DOMO Invest e Kaszek) dividem espaço com as gestoras internacionais (Y Combinator, Valor Capital Group, Tiger Global Management) entre as primeiras posições.

Confira o ranking de investidores de capital de risco mais ativos na América Latina (estágio inicial):

 

 

Estágio avançado (late stage)

O investimento em startups mais maduras foi responsável por boa parte do volume de capital visto na América Latina em 2021. Cerca de US$ 13,3 bilhões foram direcionados ao chamado late stage, ou mais de dois terços do total investido nas startups latino-americanas.

Esse valor foi impulsionado por mega rodadas, ou investimentos de US$ 100 milhões ou mais, em negócios como Nuvemshop, Rappi e Loft. Comércio eletrônico e serviços financeiros foram setores de destaque no último ano. Já entre os investidores, as gestoras internacionais lideram as apostas nas startups maduras.

Confira o ranking de investidores de capital de risco mais ativos na América Latina (estágio avançado):

 

Os investidores mais ativos no total

As gestoras regionais de venture capital permanecem as mais ativas quando se somam as rodadas de estágio inicial e as de estágio avançado. Mesmo assim, gestoras internacionais estão conquistando seu espaço nos rankings. A Associação de Investimento Privado na América Latina (LAVCA) mostra que 42% das rodadas de capital de risco na região tinham ao menos um investidor global em 2019. No primeiro semestre de 2021, a participação aumentou para 47%.

Na tabela com os 14 investidores de capital de risco mais ativos da América Latina compilada pelo Crunchbase, as três primeiras posições são ocupadas por Kaszek, Monashees e Valor Capital Group. A Kaszek e a Monashees são gestoras da América Latina. Já o Valor Capital Group tem sede em Nova York, mas é focado em conectar startups da América Latina aos Estados Unidos. Depois surgem gestoras globais, como Tiger Global Management e SoftBank.

Confira o ranking de investidores de capital de risco mais ativos na América Latina (total):

 

Os investimentos vão continuar em 2022?

O Crunchbase afirma que este ano começou quente em termos de investimentos para as startups da América Latina. Apenas nas duas primeiras semanas de 2022, US$ 450 milhões foram aportados em negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos da região.

Para eles, o ecossistema brasileiro de startups cresceu no último ano como forma de preencher uma lacuna em relação a outras nações criadoras de startups. Depois, baixas taxas de juros direcionaram investidores à renda variável. Ainda, a pandemia do novo coronavírus evidenciou o potencial de soluções criadas por startups.

O cenário para este ano ano está mais desafiador ao venture capital private equity, a começar pelo ambiente macroeconômico. As taxas de juros subiram ou prometem subir em alguns países, como nos Estados Unidos e no próprio Brasil. Além da macroeconomia, os investidores também estão refletindo sobre até onde vai a avaliação de mercado das empresas de tecnologia em comparação com suas receitas. Já existe uma correção de múltiplos nos mercados públicos.

As condições serão menos favoráveis em 2022, segundo os investidores e empreendedores. As startups brasileiras devem receber, no total, mais dinheiro do que em 2021. Mas alguns ressaltaram que o crescimento percentual não deve ser tão forte e que teremos menos unicórnios, ou startups avaliadas em ao menos US$ 1 bilhão. Alguns empreendedores já estão preparando o caixa para um cenário de captações mais difíceis. E alertam: quando esse momento chegar, empresas supervalorizadas e sem fundamentos não vão sobreviver.

 

Matéria completa em InfoMoney. 

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