O futuro das plataformas e das techs

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Texto de Pyr Marcondes, Senior Partner da Pipeline Capital.

Em 2022, a ilusão que as big techs poderiam crescer e se comportar como eternas startups acabou. Foi a primeira vez que elas enfrentaram uma economia global fragilizada, somada a juros altos e investidores em busca de portos mais seguros.

Como diz com propriedade a publicação MIT Sloan Economic Review em sua última edição do ano passado, as plataformas tech são o esteio das empresas mais valiosas do mundo, mas ficará cada vez mais difícil capturar e monetizar seu potencial disruptivo.

Acrescentamos que essa tendência, no tempo, tenderá, como já ocorre hoje, a se tornar ainda mais evidente. A disrupção deverá vir de outros players, possivelmente menores.

Há por parte dessas plataformas um movimento em busca de diferenciação que não deve parar em nenhum momento, até porque parar, nesse ambiente, é sinônimo imediato de perda de mercado, diante de uma concorrência acelerada e diversificada, em que os avanços não deixarão de acontecer.

Essa busca tem resultado na confluência e integração de silos antes separados entre si, em que inovação se aproxima de transação.

As empresas públicas mais valiosas do mundo e seus primeiros negócios de trilhões de dólares são construídos em plataformas digitais que reúnem dois ou mais atores do mercado e crescem por meio de efeitos de rede. As empresas mais bem classificadas por capitalização de mercado são Apple, Microsoft, Alphabet (empresa controladora do Google) e Amazon. Facebook, Ali-baba e Tencent não ficam muito atrás.

Juntas, essas empresas hoje somam mais de US$ 7 trilhões em valor de mercado.

A visão de empreendedores e investidores

As plataformas também são notavelmente populares entre empreendedores e investidores.

Segundo análise do MIT, examinada uma lista com mais de 200 unicórnios (startups com avaliações de US$ 1 bilhão ou mais), a estimativa foi de que entre 60% e 70% eram negócios de plataforma.

Mas o caminho para o sucesso de um empreendimento de plataforma não é fácil ou garantido, nem é totalmente diferente do de empresas com modelos de negócios mais convencionais, analisa o instituto.

A resposta, em verdade, é simples: como dito acima, elas também participam (e bastante ativamente) da chamada economia de mercado e isso implica em obedecer (ou romper) regras que são jogadas no universo de negócios. Nesse particular, elas não diferem de qualquer outra empresa.

Além disso, para sobreviver a longo prazo, as plataformas também devem ser politicamente e socialmente viáveis, ou correm o risco de serem esmagadas por regulamentações governamentais ou oposições sociais, bem como obrigações de dívida potencialmente massivas. O que vem acontecendo com surpreendente frequência nos últimos anos, em vários países do mundo.

Governos e instituições de defesa social estão cada vez mais rigorosas e exigentes diante dessas plataformas, que muitas vezes, detentoras de forte poder econômico, acabam por ultrapassar barreiras de controle, privacidade e integridade de instituições públicas. E da pessoa em sua privacidade.

Como diz o MIT: “Essas observações são de bom senso, mas em meio a todo o hype sobre as plataformas digitais —um fenômeno que, às vezes, chamamos de plataformania —, o bom senso nem sempre foi tão comum”.

As plataformas vieram para ficar, mas para construir uma empresa sustentável e de sucesso em torno delas, executivos, empreendedores e investidores precisam conhecer os diferentes tipos de plataformas e seus modelos de negócios. Eles precisam entender por que algumas plataformas geram crescimento de vendas e lucros com relativa facilidade, enquanto outras perdem somas extraordinárias de dinheiro.

Uma ilusão desfeita

Em 2022, a ilusão que as big techs poderiam crescer e se comportar como eternas startups acabou. Foi a primeira vez que as grandes empresas de tecnologia enfrentaram uma economia global fragilizada, somada a juros altos e investidores em busca de portos mais seguros. Como qualquer grande empresa, a solução foi o corte de gastos, refletindo em uma onda de demissões que atingiu seus escritórios em todo o planeta.

O movimento afetou as ofertas de ações, em 2022, nos Estados Unidos, e continuará afetando o número de IPOs, de fusões e o valor dos negócios neste ano que se inicia. Essa é a previsão da consultoria em tecnologia da Morningstar, PitchBook Data.

Os analistas, porém, concordam, que o mercado de tecnologia segue ativo, apesar do momento vivido pelas gigantes. Todas as camadas abaixo delas, afirmam, seguirão sendo demandadas, embora com uma velocidade menor do que nos últimos anos.

Executivos da GP Bullhound compartilham dessa visão e apontam o mercado de tecnologia como um dos mais aquecidos dos próximos 12 meses, considerando que, provavelmente, dele sairão as soluções para o enfrentamento dos obstáculos impostos pela crise financeira.

O cenário se aplica às fusões e aquisições no setor de tecnologia. Mesmo com uma retração no número de negócios em 2022, que não deve ultrapassar 30% na comparação com o ano anterior, não houve uma paralisação do mercado. Em 2023, as perspectivas são de incremento e retorno de negócios, mesmo em um ritmo mais lento do que observado até 2021.

Startups de tecnologia em fase inicial estão sendo apontadas como bons negócios disponíveis, desde que escaláveis e com operação enxuta. O desafio, neste caso, é identificar no nascimento do negócio uma ideia com o potencial de se tornar lucrativa. Trata-se da pergunta de um milhão (bilhão?) de dólares.

Texto de Pyr Marcondes, Senior Partner da Pipeline Capital.

Texto originalmente publicado por Meio&Mensagem.

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