Não vai haver recessão internacional! Pronto, falei.

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Texto de Pyr Marcondes, Senior Partner da Pipeline Capital.

Tecnicamente, na semântica econômica, recessões se caracterizam por dois quarters seguidos de inflação em alta, demissões em massa, consumo em baixa, PIB idem, por aí vai. Já vivemos quadros assim. O mundo também.

Pois bem, desse jeito, apesar das insistentes previsões que leio na imprensa econômica e de negócios no mundo todo, não acredito que isso vá acontecer agora em 2023.

Ao contrário, creio que caminhamos para um quadro de um primeiro quarter ainda de apreensão e alarmismo, que vai começar a se diluir no segundo. No terceiro, teremos sinais de que talvez, de fato, eu até possa estar certo, e que a sombra da recessão foi um uma nuvem meio negra, que passou sobre nossas cabeças, mas não gerou nenhuma tempestade. E terminaremos o ano constatando que 2023 nem foi tão ruim assim, e que, na real, tivemos até que um ano bem melhor do que o esperado e projetado neste exato momento em que escrevo e você me lê.

Não tenho visto por aí idiotas como eu que acreditam nisso. 

Tenho indícios, no entanto, para afirmar o que afirmo.

Relatório do Banco Mundial qualifica o que viveremos este ano, em inglês, de um “downturn not a recession”. Aeeee!!!

Os índices de inflação nos EUA, motor propulsor de parte relevante da economia global, começam a dar sinais de estabilização. Claro que por conta do arrocho do FED, mas que começa a funcionar. 

O mercado financeiro e de investimentos já sabe que o Banco Central dos EUA vai continuar arrochando a economia até que os indicadores de controle inflacionário pareçam mais consistentes. Mas já fizeram suas projeções e cálculos e esperam um total de aumento na taxa de juros de até 5%. Estamos caminhando para isso, talvez, mas o fato é que nem os mais alarmistas e conservadores acreditam que passaremos desse patamar e o número (ruim, é verdade) já está nas planilhas. Não haverá susto, nem pânico em Wall Street. E, de novo, nem recessão.

Ainda na economia norte-americana, com os juros mais altos, uma das saídas das empresas é demitir, e isso está de fato acontecendo. Big time.

A dor de qualquer demissão é odiosa e triste demais, mas também nesse caso, os índices de desemprego que pareciam caminhar para uma explosão, indicando de fato um prenúncio de potencial recessão, não estão em franco e exponencial crescimento. As primeiras pesquisas sobre demissão e desemprego deste ano saem por esses dias nos EUA e aí vamos ver para onde esses indicadores apontam.

Os impactos nocivos (em todos os sentidos) da guerra na Ucrânia foram em parte já absorvidos pelas nações e economias, do jeito que deu. Os reflexos seguem vivos e espraiam seus malefícios Europa e mundo afora, mas como disse, cada País está atrás de suas próprias alternativas, particularmente em termos de matriz energética. E a vida vai seguindo. Ruim. Bem pior que antes. Mas isso não é recessão.

Independente do viés político, acredito também que um quadro recessivo não vá se instalar no Brasil este ano.

Já fiz um sem número de previsões na minha vida de quase 50 anos de jornalista e articulista. Boa parte delas torci para estarem erradas, porque previam coisas ruins no futuro, que por vezes acabaram por se consolidar. Odiei estar certo.

Desta vez, vou adorar acertar.

Em 31 de dezembro, me cobrem. Passamos a régua e vamos ver o que aconteceu.

Texto de Pyr Marcondes, Senior Partner da Pipeline Capital.

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